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Um desejo chamado sexo

Stress, cansaço, falta de tempo… ou de desejo.
Tudo serve de pretexto para, na hora H, dizer “não me apetece”.
Não há nada a fazer, a não ser recuperar a líbido. Veja os produtos que sugerimos dentro deste artigo.
Antes que seja dia de S. Valentim... ou mesmo antes que seja tarde!

Um desejo chamado sexo

É bom e pronto. Dele dizia o escritor francês Henri Bergson, que era o verdadeiro tónico da civilização e ainda ninguém conseguiu provar o contrário. O sexo é a mais vital das actividades físicas do ser humano, e não restam dúvidas de que comporta benefícios (de saúde) de ordem física e mental. Dizem os estudos, que faz bem à pele, revitaliza o corpo e circulação sanguínea, estimula a mente, ajuda no combate à depressão e é ainda um excelente exercício aeróbio. Os gregos parecem levar as recomendações à letra ou não fossem os "campeões do sexo", com uma média de 138 relações sexuais por ano, mais trinta que os portugueses, segundo um estudo à escala mundial realizado pela Durex. Ainda assim, estamos acima dos japoneses (45 vezes), eventualmente mais "distraídos" com a tecnologia.

À velocidade que correm os tempos modernos, a verdade é que a actividade sexual acaba, por vezes, preterida pelos imperativos quotidianos. "O stress e a fadiga, as preocupações do dia-a-dia, subnutrição, ansiedade, estados depressivos ou mesmo o desinteresse sexual pelo parceiro são factores determinantes que afectam o desejo", refere o psicólogo e especialista em sexualidade, Nuno Nodin.

Disfunções Sexuais
Atinge mais de 400 mil portugueses, segundo os últimos dados da sociedade Portuguesa de Andrologia. A disfunção eréctil é o pesadelo de qualquer homem e traduz-se na "incapacidade persistente em obter uma erecção que permita um desempenho sexual satisfatório".

A fraca performance debaixo dos lençóis continua a ser o motivo principal de vergonha masculina. Apesar de não haver uma cura definida, são conhecidas várias causas associadas à doença: diabetes, doenças cardiovasculares, colesterol, obesidade e tabagismo; isto para além dos factores psicológicos.

Nos últimos anos, os especialistas têm procurado alertar para o papel fundamental da mulher, como solução de um problema comum. À falta de imaginação do casal, a estimulação física do órgão sexual masculino é mais importante do que a psíquica, sobretudo a partir dos 50 anos.

Na mulher, as disfunções sexuais são menos perceptíveis e mais complexas. Entre as mais comuns estão a frigidez e a dificuldade em obter o orgasmo da relação sexual, o que remete muitas vezes a mulher para um sofrimento silencioso. A falta de desejo sexual pode estar também associada à rotina do casamento. Um estudo recente publicado na revista Human Nature revela que, ao contrário dos homens, a maioria das mulheres sofre uma diminuição considerável do desejo sexual, após quatro anos de relacionamento estável, e que pode ainda ser agravado com o nascimento do primeiro filho. Certo é que a idade nunca deve servir de pretexto para abdicar da vida sexual: "o envelhecimento chega a todas as funções do corpo, não apenas aos órgãos sexuais. Mas o desejo sexual é para toda a vida".

Com o avançar da idade, as relações sexuais tendem a diminuir de frequência, mas podem durar mais e consequentemente serem melhor saboreadas pelos parceiros. Longe vão os tempos em que se pensava que a andropausa e a menopausa significavam o fim da vida sexual do homem e da mulher. "Qualquer pessoa com 60 ou 70 anos pode ter uma vida sexual activa, desde que se sinta bem física e psicologicamente".

Onde pára o desejo?
O desejo sexual reside sobretudo no cérebro, mais concretamente no hipotálamo, região que controla as emoções e os impulsos sexuais. Tal como nos animais, a atracção sexual também é despoletada pelas feromonas, substâncias químicas libertadas pelo corpo, que atraem o sexo oposto através do olfacto. Neste jogo de hormonas, níveis adequados de testosterona e estrogénio asseguram que a líbido do homem e da mulher não diminuam, estimulando a irrigação de todos os tecidos que dilatam durante a actividade sexual: pénis, clítoris e mamilos. Mas para que haja prazer na relação sexual, o cérebro também tem de ser excitado. Como é então possível estimular a mente? "Os casais não devem deixar adormecer a sua relação. Devem criar momentos especiais que propiciem a actividade sexual. "Isso tanto pode significar passar fins-de-semana românticos ou coisas mais simples, como ter cuidados extra com a aparência física, criar os seus jogos sexuais e surpreender o parceiro no amor", recomenda o psicólogo.

A fantasia é, portanto, peça-chave no desejo sexual. A maior parte dos casais com vários anos de relacionamento estável tendem a cair na rotina, transformando a sua vida sexual num hábito com hora marcada. Nesses casos, o acompanhamento psicológico pode ser uma solução para restabelecer a comunicação do casal em matéria sexual, antes que seja tarde de mais. "Grande parte das vezes, é a mulher que procura o aconselhamento sexual e traz o marido às consultas". A terapia passa quase sempre por um entendimento mútuo do que são as necessidades sexuais de cada parceiro, já que estas podem não coincidir.

Recentemente, um estudo da Universidade de Jerusalém descobriu que o desejo sexual também é influenciado por causas genéticas. Ou seja, a sexualidade de um indivíduo é controlada por um gene específico, que tem a capacidade de reprimir a actividade sexual ou aumentar o seu desejo. Ainda segundo o mesmo estudo, apenas 30 por cento das pessoas é "bafejada" com essa mutação genética que aumenta o apetite sexual.

Revista Performance Nº 63

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